Cobertura de Cirurgia de Varizes pelos Planos de Saúde

As varizes são veias que se tornam dilatadas e tortuosas devido a problemas na circulação sanguínea. Embora a condição seja frequentemente vista como um problema estético, as varizes podem ter sérias implicações para a saúde, incluindo dores persistentes, inchaço, sensação de peso nas pernas, formação de úlceras e até trombose venosa profunda. Quando os tratamentos clínicos, como o uso de meias de compressão e medicamentos, não são suficientes, é recomendada a realização da cirurgia de varizes.

Apesar da clara indicação médica em muitos casos, os planos de saúde frequentemente negam a cobertura da cirurgia de varizes, alegando que o procedimento seria apenas estético. No entanto, essa negativa é abusiva e pode ser contestada juridicamente ou junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), especialmente quando o tratamento é necessário para evitar complicações à saúde.

Neste artigo você entenderá:

  • O que são varizes e quando é indicada a cirurgia;
  • Os tipos de cirurgia de varizes disponíveis;
  • A obrigatoriedade dos planos de saúde em garantir a cobertura;
  • Como proceder em caso de negativa de cobertura;
  • Jurisprudências favoráveis aos pacientes.

O que são Varizes e Quando a Cirurgia É Indicada?

Definição

As varizes ocorrem devido ao mau funcionamento das válvulas presentes nas veias, o que resulta na retenção de sangue e na dilatação das veias, especialmente nas pernas. Essa condição faz parte de uma doença mais ampla chamada insuficiência venosa crônica.

Principais Sintomas

  • Inchaço das pernas;
  • Sensação de peso ou queimação nas pernas;
  • Fadiga;
  • Dor ou câimbras, especialmente à noite;
  • Aparência de veias azuladas/arroxeadas e visivelmente dilatadas;
  • Complicações como úlceras, coágulos sanguíneos (trombose) ou flebite.

Indicação da Cirurgia

Embora tratamentos conservadores, como o uso de meias compressivas e medicamentos, sejam indicados em estágios iniciais, a cirurgia de varizes é recomendada em casos mais graves ou quando há:

  • Dor constante e progressiva;
  • Complicações associadas, como úlceras de pele ou infecções;
  • Tromboflebite de repetição;
  • Ineficácia dos tratamentos clínicos;
  • Risco aumentado de tromboses profundas.

Tipos de Cirurgia de Varizes e Técnicas Disponíveis

Atualmente, existem diversas abordagens cirúrgicas para tratar varizes, dependendo da gravidade do quadro e da recomendação médica. Algumas das técnicas mais utilizadas incluem:

1. Cirurgia Convencional (Flebectomia)

  • Técnica tradicional em que as veias varicosas são retiradas manualmente através de pequenas incisões na pele.
  • Indicada em casos de varizes grandes e de maior gravidade.

2. Escleroterapia com Espuma

  • Consiste na aplicação de uma substância esclerosante diretamente nas veias, provocando o fechamento da veia danificada.
  • Geralmente, é utilizada para tratar varizes menores ou em complementação à cirurgia tradicional.

3. Laser Endovenoso (EVLT)

  • Procedimento minimamente invasivo que utiliza um feixe de laser para tratar as varizes por meio do fechamento térmico da veia afetada.
  • Apresenta menor tempo de recuperação.

4. Radiofrequência (RFA)

  • Assim como o laser, a radiofrequência utiliza calor para fechar as veias danificadas e redirecionar o fluxo sanguíneo para veias saudáveis.

5. Microcirurgia

  • Indicada para tratar pequenas varizes e microvarizes (os famosos vasos ou telangiectasias).

Benefícios da Cirurgia

  • Alívio da dor, inchaço e sensação de peso;
  • Redução do risco de complicações graves, como trombose;
  • Melhora na qualidade de vida e na funcionalidade das pernas;
  • Em casos severos, prevenção de amputações decorrentes de complicações associadas a úlceras venosas.

Obrigatoriedade de Cobertura pelos Planos de Saúde

A Lei nº 9.656/1998 obriga os planos de saúde a cobrirem cirurgias de varizes sempre que houver indicação médica que justifique a necessidade do procedimento para tratamento ou prevenção de complicações. A cobertura não pode ser negada sob a justificativa de que o tratamento seria “cosmético”, já que:

  1. As varizes, em diversos graus, configuram uma condição médica e não apenas um problema estético.
  2. Negar a cobertura pode causar agravamento da saúde do paciente, violando os princípios constitucionais de proteção à vida e à saúde.

Base Legal e Jurídica para a Cobertura

  1. Lei nº 9.656/1998 – Lei dos Planos de Saúde:
    • Determina a obrigatoriedade de cobertura de doenças listadas na Classificação Internacional de Doenças (CID), incluindo a insuficiência venosa crônica (CID I83).
  2. Rol de Procedimentos e Eventos da ANS:
    • A cirurgia de varizes e tratamentos minimamente invasivos estão presentes no rol da ANS e são considerados procedimentos essenciais de cobertura obrigatória.
  3. Artigo 196 da Constituição Federal:
    • Garante o direito à saúde e prevê o acesso integral a tratamentos necessários para prevenir complicações e preservar a qualidade de vida.
  4. Código de Defesa do Consumidor:
    • Proíbe cláusulas contratuais abusivas que limitem o direito à saúde do paciente, especialmente quando há prescrição médica para um tratamento.

Negativas Comuns e Como Combatê-las

1. “O procedimento é apenas estético.”

  • Por que é abusiva:
    Problemas relacionados a varizes vão muito além da estética, sendo uma condição médica comprovada que pode levar a complicações graves, como tromboses e úlceras. Se há prescrição médica, a cobertura deve ser garantida.

2. “O procedimento não está no Rol da ANS.”

  • Por que é abusiva:
    Embora a cirurgia de varizes esteja no rol da ANS, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já determinou que o rol da ANS é exemplificativo, ou seja, procedimentos fora do rol podem ser cobertos quando houver justificativa médica.

3. “O plano cobre só a técnica tradicional — o laser ou a radiofrequência são opcionais.”

  • Por que é abusiva:
    O médico assistente é quem deve determinar a melhor técnica para o paciente, levando em conta as condições de saúde e os avanços tecnológicos. Negar uma técnica comprovadamente eficaz é considerado prática abusiva.

4. “Limitação contratual para procedimentos nas pernas.”

  • Por que é abusiva:
    Restrições que excluem áreas específicas ou técnicas minimamente invasivas violam normas legais e o direito à saúde integral.

O Que Fazer em Caso de Negativa de Cobertura?

1. Solicite a Negativa Por Escrito:

Exija que o plano de saúde formalize os motivos da recusa do procedimento. Guarde o documento para eventual denúncia ou ação judicial.

2. Apresente Relatórios Médicos:

Peça ao médico assistente um relatório completo contendo:

  • Diagnóstico da condição (CID I83 e outros relacionados);
  • Indicação do procedimento específico e seu objetivo médico;
  • Riscos da não realização da cirurgia.

3. Registre Reclamação na ANS:

Entre em contato com a Agência Nacional de Saúde Suplementar pelo telefone 0800 701 9656 ou via site oficial. Eles podem intervir para garantir a realização do procedimento.

4. Busque Assistência Jurídica:

Procure um advogado especializado em Direito da Saúde para ingressar com uma ação judicial. Em muitos casos, liminares são concedidas rapidamente, garantindo o tratamento imediato.


Jurisprudências Favoráveis

1. São Paulo:

O TJ-SP condenou um plano de saúde a cobrir uma cirurgia de varizes por entender que o tratamento era essencial para evitar complicações graves, como trombose e incapacidade funcional da paciente.

2. Minas Gerais:

A Justiça determinou que um plano de saúde custeasse o tratamento com laser endovenoso, considerando que a negativa baseava-se unicamente no custo e não na escolha da melhor técnica para o caso.

3. Rio de Janeiro:

Uma decisão obrigou a realização de escleroterapia com espuma em uma paciente com varizes dolorosas, destacando que o caso era funcional e não apenas cosmético.

A cirurgia de varizes vai muito além da questão estética, sendo muitas vezes essencial para prevenir complicações graves e melhorar a qualidade de vida do paciente. Negar a cobertura do tratamento é abusivo e deve ser questionado por vias administrativas ou judiciais.

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